quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dia e chuva

O sol vai nascendo lindamente passando uma mensagem a quem ainda espera: Estou aqui mais uma vez, então não se recolha agora. Mas é preciso coragem pra continuar marcando os passos na areia, coragem que eu não sei se estou disposta a ter. Quem saberia explicar o mundo se não o sol e a lua em sua junção rara e bela? Eu ainda estou aqui, mas já não marco meus passos tortos na areia branca dessa linda praia. Estou parada e observo. Observo parada. Parada observo e não deixo a imagem se desfazer. Fugir de minhas pernas e braços parece-me impróprio. Pisar o mundo não trás de volta os meus pés, não trás de volta a corrida contra o tempo das lutas e batalhas que eu não tive coragem de travar. Mas o que me adianta continuar parada aqui simplesmente observando? Adianta... Posso aprender se abrir bem os meus olhos e jogar fora a visão do mundo lá fora. Ou talvez eu apenas queira acreditar que ainda há um lado bom na minha covardia de polainas e cadernos em branco. o banco invisível já não existe mais e nem as cartas me aquecem o peito. O frio que eu tanto amei, por tanto tempo, parece agora me dilacerar... Parece uma sina... Ser sempre dilacerada pelo que tanto amei... Amo... Amo tanto. Acho que me perco de tanto amor que sinto e não sei canalizar, por que esse amor não deveria mais existir nesse meu mundo habitado por criaturas ainda mais estranhas que eu e ele. Às vezes a gente encontra a vida quando estamos perdidos o suficiente pra não nos encontrarmos. Mas a chuva ainda está aqui e lava a alma que habita em mim.

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