quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quanto mais me procuro, mais percebo que me desconheço.
Perdi tudo o que eu era. Ou que achava ser.
Será que eu era mesmo esse alguém que tanto tento voltar a ser?
Não gosto do que enxergo em mim. Não gosto de ver que já não vale à pena. 
Perdi as minhas melhores qualidades, o que formava a pessoa a quem as pessoas que eu amo, amavam. Amam?
Sou hoje uma mistura de fingimentos e ilusões.
Não conheço a mim, e não deixo que ninguém conheça.
Quem poderia ficar perto de quem sou agora, se nem mesmo eu, vejo características boas o suficiente para me amar?
O destino do ser é a solidão. Já encontrei a minha solidão em mim, com doces, sons e imagens ao vento que me trazem um turbilhão de pensamentos soltos, voantes.
Como posso me recuperar se perdi toda a minha fé?
Nas coisas, nas pessoas, no mundo, em mim...
Por que as pessoas estão tão calmas?
Por que não se desesperam e gritam, e correm, e se rasgam... Como podem continuar assim tão quietas enquanto tanta inquietude toma conta de mim?
Toda essa raiva... Toda essa revolta...
Tanta angústia que sinto uma lama negra se apossando de mim...
Lágrimas demais, pai...
Não quero sucumbir, mas me parece que já é tarde.
Tô perdida...
Tão perdida...
Vontade muda de gritar! Entala a garganta. 

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