Quanto tempo faz quenão ando por essas paragens?
Que minha alma pisa em novos tufos de grama úmida e a luz aumentou, como se um astro rei anunciasse sua breve aparição?
Mantive-me longe desse espaço que guardava aquela energia. Mas não tenho mais a mesma.
Estou em movimento mais constante e percebo o desfacelar de peças que prendiam em lugares que não me cabiam.
Eu me agarrava com unhas e dentes para caber nos moldes que o mundo me entregou quando eu nasci. Sofria por não compreender a falta de encaixe. Agora parte de mim, aquela que compreende que há algo muito errado em tudo isso, se compraz em perceber-se livre das amarras que não faziam sentido.
Outra parte, essa, talvez, ainda com resquícios dos anos tentando se adequar, imagina que talvez fosse muito mais fácil fazer parte desse mundo, vivendo a ilusão de que a felicidade cabe em uma casa de dois quartos com filhos, cachorro e carro na garagem.
Não.
A terceira parte grita!
Talvez ninguém realmente acredite nisso. Talvez ninguém seja "feliz".
Mas há uma certa felicidade.
Sei que ela existe. E compreendo que não tem a obrigatoriedade nem a intenção de ser constante.
A felicidade não é um lugar onde você chega e se prosta depois de ter percorrido o mundo inteiro em seu encalço.
Ela é como brisa de verão, fugaz, deliciosa que, quando passa, o calor toma conta, junto com o suor, os mosquitos e a agonia.
Adianta correr atrás do vento?
O melhor que você pode fazer é procurar lugares mais ventilados: de pessoas, de cheiros, de atitudes, de pensamentos, de músicas... e sentir a brisa passar por lá quando em vez, pra te acariciar a pele.
Nenhum comentário:
Postar um comentário