quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Minha dor

A dor é latente. A dor que move o corpo do ator e se disfarça de dor e provoca risos e choros e faz transbordar almas de seres existentes nesse ser. Pergunto-me se não é essa existência múltipla que faz a angústia pairar em meu peito. Apertar, corroer estourar... Almas de pipocas brancas, simples e complexas. Almas que revoam de sentimentos fazendo-me quase explodir e agir impensadamente causando-me mais tormento. Minha salvação é talvez usar essa dor. Travestir-me com a dor que sinto e trazer à tona as almas que preciso tecê-las em minha rede de ilusões. Soprar balões para voarem alto e atingirem o ápice máximo que posso alcançar... A minha dor me faz respirar e ter cada vez mais vontade de respirar. Sentir esse ar atassalhando minhas almas, rasgando minhas vestes, mastigando minhas entranhas e causando mais dor. Minha dor é minha arte. É minha arte agir sobre essa dor e torná-la produto aceito em palcos iluminados. É trazer de dentro de mim a minha dor e mostrar como se fosse sua. É mentir a dor que sinto. Sentir a dor que minto. E seguir em um ciclo que se fecha em fogo e espinhos em volta de minhas entranhas corrompidas, dilaceradas. Minha dor me faz viva e lúcida de mim, mas me torna louca e perdida da vida que me cerca. Minha vida, minha erva. Meu veneno e redenção. A minha dor faz pulsar forte o meu coração. Faz bater as asas de minha imaginação e me faz sentir que há algo útil para ser feito. É conviver, existir, apropriar e usar, e viver, e amar. Por que a dor... vai doer do mesmo jeito.

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